Classificação de Tipografia #1- Vox-ATypI

A tipografia é uma parte importante do nosso dia a dia. Se você é designer, usa tipografia em todos os seus trabalhos. Mas existem milhares de fontes por aí e as vezes é difícil organizar sua coleção. Os programas da Adobe vem melhorando a cada versão sua usabilidade em relação à escolha de fontes, mas pra mim ainda está longe de ser perfeito. Por isso eu uso um outro software, chamado nexusfont para organizar minha coleção de fontes. Existem outros programas similares, tanto pagos quanto gratuitos.

O Nexus é um programa interessante que me dá liberdade de classificar e organizar as fontes da forma que eu quiser. Porém, a liberdade as vezes é traiçoeira. Como organizar fontes? Quais critérios usarei para agrupá-las? Foi pensando nisso que decidi fazer dois posts sobre Classificação de Tipografia para te ajudar a entender um pouco mais desse mundo da taxinomia tipográfica. Hoje falaremos sobre a Vox-ATypI.

Vox-ATypI

Desenvolvida por Maximilien Vox em 1954 e adotada pela Associação Internacional de Tipografia (Association Typographique Internationale, ATypI) em 1962 essa classificação divide as fontes tipográficas de acordo com as suas principais características baseadas em alguns critérios como tipo de serifa, ângulo e altura x. Deixei a palavra “principais” em bold na sentença anterior porque muitas fontes possuem características de mais de uma classe, sendo este um dos motivos da crítica ao método de classificação.

Clássicas

Suas características são serifas triangulares, eixos oblíquos e bom contraste de linha. Também conhecido como Estilo Antigo. Está dividida nas três classes abaixo.

Humanistas

Inclui as primeiras fontes criadas no século 15 para imitar os manuscritos da Renascença. São as fontes que mais lembram os entalhamentos em pedra das fontes romanas.

Tipografia Centaur

 

Garalde

O nome veio da junção de dois nomes: Claude Garamond and Aldus Manutius, dois tipógrafos Renascentistas. Possui um contraste menor que as humanistas mas seu eixo é mais oblíquo.

Tipografia Garamond

Transitórias / Transicionais

Surgiram do desejo de Luís XIV de inventar uma nova fonte, para ser a sucessora da Garamond. Possui um contraste muito maior que as duas anteriores e nota-se finalizações arredondadas nas ascendentes e descentes de f,j e y, por exemplo. Além de serifas planas.

Tipografia Bulmer

Modernas

Sua principal característica é a simplicidade e funcionalidade que ganhou força durante a revolução industrial, com serifas retas e eixo vertical.

Didone

Novamente uma junção de dois nomes, Didot and Bodoni. Possui um contraste bastante alto, eixo vertical e serifas extremamente finas.

Tipografia Bodoni

Mecânicas

Muito utilizada na indústria, como o nome diz, são fontes que parecem mecânicas. Ao contrário das humanistas, não parece feita pela mão do homem. Possuem contrastes muito baixos e normalmente serifas slab retangulares.

Tipografia Rockwell

Lineares

As lineares são basicamente as sans-serif. Esta classe é um agrupamento de quatro classes.

Grotescas

Consideradas por alguns como a sans-serif original, possui um contrate muito baixo, assim como ascendentes e descentes curtas. São levemente condensadas.

Tipografia Monotype Grotesque


Neo-grotescas

Baseadas na classe anterior, possuem formas mais “regulares e proporcionais” do que as grotescas.

Tipografia Univers

Geométricas

São fontes construídas com base em formas geométricas, normalmente círculos e retângulos. Essas formas são replicadas através das letras, como a barriga do a, b g  que são exatamente a mesma forma, por exemplo.

Tipografia Futura

Humanistas

Não confundir com a categoria clássica Humanistas. Esta sub categoria das sans-serif possui fontes que se inspiram nos modelos clássicos romanos, assim como a clássica humanista, porém sem serifas.

Tipografia Gill Sans

Caligráficas

Como o nome diz, são fontes que sugerem terem sido feitas à mão.

Glifadas

O nome vem de glifo e segundo sua etimologia: do grego glúphḗ,ês. Obra cinzelada ou gravada, entalhe, gravura.

Tipografia Copperplate Gothic

Manuscritas

Fontes que lembram a escrita com a pena ou caneta tinteiro. Normalmente possui letras ligadas umas as outras.

Tipografia Mistral

Gráficas

Novamente fontes feitas à mão, porém com a finalidade de uso em publicidade ou cabeçalhos, não para serem utilizadas no corpo da peça. Possuem estilos diversos e ficaram populares em posters, outdoors e outros meios de publicidade impressa.

Tipografia Banco

Blackletter

Na classificação original de Vox, fazia parte da classe anterior, porém com a revisão da ATypL ganhou uma própria. São fontes que relembram o fim da idade média, como uma mistura das Gráficas e das Clássicas.

Tipografia Fette Fraktur

Gaélicas

Classe nova criada para fontes que lembram a escrita Celta. Pouco utilizada.

Tipografia Duibhlinn

Não Latinas

O nome é bem claro, são fontes destinadas ao japonês e árabe, por exemplo.

Conclusão

Bastante coisa né? É possível identificar características de uma categoria em fontes de outra e é por isso que não é um sistema perfeito. Talvez se existissem menos categorias elas seriam mais assertivas? Vejam a segunda parte aqui.

Abraço

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